Escrevo pela primeira vez, aqui..
À luz da minha sombra relembro todo o estímulo intelectual e vivencial que me acompanhou nestes últimos meses - os dias e a sua contagem são um delírio, aquele a que chamamos tempo.
Hoje quero escrever sobre o fatídico momento que todos temem ou esperam ou adiam ou esquecem. O que atormenta o Eu, em momentos mais dramáticos. Aquele que o nosso (Super)Ego nos vai (re)lembrando à justa medida dos acontecimentos. Pois bem, a Morte. Porquê estigmatizar esta palavra?
Saramago em «As Intermitências da Morte» relembra-nos, com o seu humor subtil e sarcástico, a extrema necessidade da Morte - ao nível económico, social e vivencial. Que seria do Estado? E da Igreja? E até ... das agências funerárias, e das agências de seguros ... Dos hospitais claro ... E, já agora, das PESSOAS? Sim ... Que seria de nós se amanhã mais ninguém morresse. Se a vida se suspendesse para todo o sempre irremediavelmente?
Em «Património», Philip Roth fala-nos, conta-nos e remete-nos a reflectir sobre o processo doloroso que pode ser a morte (dos outros). Mas também como ela nos confronta com os nossos abismos existenciais. Como ela nos ensina a nostalgia do viver. Como ela nos ensina a olhar humanamente para o passado, presente e futuro. Como ela é terrível. Como ela é natural. Como ela é destrutiva. Como ela é construtiva.
Em «Sete Palmos de Terra» - maravilhosa série televisiva - percebemos todas estas subtilezas do grande dia. Como somos tão pouco, tão frágeis, tão Nada! Mas também como podemos ser intemporais e grandiosos. Como podemos ser maus e bons simultaneamente, a cada dia que passa. Como a morte pode ser (in)justa, cruel, (in)dolor. Como a morte é tão natural como viver. Como ela é fascinante. Como é necessário libertar-nos de todas as máscaras a que nos gostamos de aprisionar. Como é urgente sentir, sentir tudo exponencialmente. Viver, viver, viver. Para, num ano, num mês, numa semana, num dia, numa hora, num minuto, num segundo precisamente nesse segundo ... morrer.
Ficam as minhas sugestões!
P.S.: Para a próxima vou esforçar-me para cumprir o magnânimo Acordo Ortográfico
["Temam menos a morte e mais a vida insuficiente", Brecht]
[De: A.G.]
Sem comentários:
Enviar um comentário